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Page history last edited by Maria de Lourdes Moraes Kessler 2 years, 10 months ago

 

 

 

MARIA DE LOURDES MORAES KESSLER

 

 

 

 

 

 

DOSSIÊ I     

           Olá, colegas, professores e tutores! Quando se fala em inclusão, pressupõe-se que o profissional que vai estar atuando em uma sala de aula com alunos portadores de necessidades epeciais seja bem treinado.

            Vou relatar um fato que ocorreu comigo a alguns anos atrás: Quando comecei a trabalhar em Sapiranga, fui designada para trabalhar em uma sala de classe especial. Nunca havia feito um trabalho semelhante, não sabia como proceder. Fiquei apavorada, insegura.

             Me senti perdida porque não havia sido preparada para realizar tal trabalho. Eram 12 crianças mas, cada uma delas com uma necessidade particular.

             Acho importantíssimo a inclusão mas, a verdadeira inclusão, que visa realizar um trabalho adequado com estas crianças não, que a sala de aula seja um lugar onde elas fiquem "depositadas", sem realizar nenhuma atividade significativa.

 Posso citar como exemplo, um aluno que estava na Classe Especial porque tinha muita dificuldade para realizar as suas atividades. Depois de algumas semanas de aula, percebi que o problema dele se resuamia à falta de visão. Este menino tinha um alto grau de miopia e não enxergava quase nada do que era escrito no quadro. Consegui uma consulta médica para ele e mandei fazer os óculos com a ajuda de alguns empresários conhecidos meus (estes pagaram a aconsulta e os óculos).

Agora eu pergunto, como uma criança que estava a quatro anos na primeira série não havia recebido atendimento antes? Como os professores e a direção da escola não perceberam o seu problema antes?

Após começar a usar óculos ela começou aler e no final do ano foi aprovada para a série seguinte.

            Abraços! 

 

 

 

 

DOSSIÊ II

 

 

Trabalho na Escola Estadual de Educação Básica Presidente Roosevelt - Bairro Menino Deus e Escola Estadual de Ensino Fundamental Espírito Santo - Bairro Glória, ambas em Porto Alegre.

Na Escola Estadual de Educação Básica Presidente Roosevelt temos dois alunos que sofrem de TOC e em torno de 9 alunos com problemas de aprendizagem (sendo que 6 deles no CAT).

Nossa escola conta com o auxílio do SOE. As crianças passam primeiramente por uma avaliação feita pela orientadora da escola e depois são encaminhadas para receberem um atendimento especializado e gratuíto. Este tratamento é oferecido a todas as crianças que necessitarem e estudarem na rede pública de ensino. Claro que precisam enfrentar uma fila, pois são todos são atendidos por ordem de chegada.

Aqueles pais que tem condições de pagar por uma consulta particular com psicopedagogos ou psicológos terão atendimento mais rápido.

Na Escola Estadual de Ensino Fundamental Espírtito Santo, apesar de ser uma escola com menos da metade de alunos, quando comparada à Escola Presidente Roosevelt também apresenta um índice significativo de crianças que necessitam de atendimento especializado. Em torno de 8 crianças não atendidas. A escola não conta com serviço de orientação escolar.

Nesta escola eu trabalho com 3º ano. Tenho 14 alunos. Destes, 7 estão com idade acima da indicada para a série. Sendo que um menino tem 16 anos e uma menina 14. Ambos forma encaminhados a uma psicopedagoga para terem um atendimento escpecializado. A menina não está realizando este tratamento porque está grávida e segundo os pais, não tem que aprender a "ler". Deve ficar em casa e cuidar do bebê que vai nascer e do lar.

A clientela das duas escolas também difere pois na escola Presidente Roosevelt temos alunos da classe média-alta, em sua maioria. Já na escola Espírito Santo a clientela é, em sua maioria, da classe média-baixa. Vários alunos são filhos de viciados em crack, maconha. Alguns os pais são traficantes do morro, outros são filhos de catadores de lixo. Em suma, grande parte dos meus alunos sofre de desnutrição e isso, ao meu ver, também afeta a aprendizagem deles.

As Leis (conforma textos lidos) estão aí e dão "amparo" legal a esta questão da inclusão mas, na prática, em nossas escolas, o que vimos é uma reliadade muito diferente. Aqueles que podem pagar são atendidos melhor e mais rápido e aqueles que não tem condições precisam aguardar em uma fila quilométrica até conseguirem auxílio e ajuda para resolver seus problemas.

Isso me entristece muito porque a dignidade do ser humano fica relegada a segundo plano. 

 

DOSSIÊ III

 

Começarei o meu estudo de caso. O aluno que escolhi para este trabalho é JRP (iniciais de seu nome), 14 anos e aluno do 3º ano. É o 7º de onze filhos. Pai desconhecido e mãe catadora de sucatas. Residem em um beco no Morro da Glória em Porto Alegre. A casa situa-se em meio a um lixão. Feita de restos de material de construção. Não tem luz elétrica, esgoto e água encanada. A casa não conta com assoalho (é de chão batido), tem quatro peças (sala e cozinha, quarto da mãe e de dois filhos e os demais filhos se distribuem nos dois quartos restantes. O seu irmão mais velho está no Presídio Central. Foi preso por tráfico de drogas e assalto a mão armada. Este aluno está inserido em um ambiente de miséria econômica, social e familiar. Apresenta muita ansiedade (tem o hábito de roer as unha e a pele em volta dos dedos), tem dificuldade de fala. Com quatorze anos, apresenta tamanho de um aluno de oito ou nove anos. Quando incentivado a realizar uma atividade, se a mesma exigir um pouco mais de concentração, não consegue realizá-la. Tem muito medo de desagradar a professora e os colegas. Por exemplo: "....Profe tá bom o meu tema? Não tá braba comigo?....", estas são algumas das perguntas que ele costuma fazer durante as aulas. No pátio, tem dificuldade de interagir com os demais colegas. Ele só consegue bricar se for de "lutinha", como ele mesmo diz. Estou trabalhando brincadeiras orientadas e em grupo para que ele possa interagir melhor com os colegas e compreenda que brincar não tem o mesmo significado de brigar. Não sou capacitada para fazer um diagnóstico clínico deste aluno mas, abservando suas característcas físicas (olhar perdido, sem brilho e tristes, rosto quase quadrado, nariz muito pequeno) dificuldade no falar, acredito que ele tenha alguma deficiência. Por isso o encaminhei para ser avaliado e posteriormente, receber um atendimento. O encaminhamento foi feito ao NASCA. Mas, esse atendimento pode demorar em torno de seis meses para acontecer. Então, corremos o risco de somente ocorrer uma avaliação no final do ano. outro fato que me preocupa é a desmotivação que este aluno apresenta. Está a tanto tempo repetindo uma mesma série que não demostra interesse em trabalhar. Assim, tendo fazer com que a minha aula seja o mais atraente possível, tendto tornar atrativa. Conversei com a mãe e me arrependi de tê-la chamado na escola porque ao invés de obter ajuda da parte dela o que consegui foi que ela bateu no menino. Ela diz na frente dele que ele é um retardado e que nunca vai aprender nada na escola. Disse: "...Vou te tirar da escola e tu vai trabalhar comigo, porque só gasto com caderno e tu não aprende nada. Já vi que tu é um retardado!....". Se este aluno já tem este rótulo em casa, é mais do admissível que se sinta um fracasso realmente. Esta semana perguntei a ele o que mais gostaria de fazer na escola. Ele me respondeu que era comer a merenda, brincar e, como última resposta foi a vontade de aprender a ler. Ele me perguntou se eu podia levá-lo para minha casa porque na minha casa podia-se almoçar e jantar todos os dias e na dele não. É um aluno que não sabe demostrar carinho, ele não está habituado a dar um beijo, por exemplo. Ele também fica arredio quando me aproximo dele para lhe dar um beijo. Tem medo do contato - penso eu.

O que mais me surpreende é o fato de JRP, roer até a pele dos dedos (sintoma de uma enorma ansiedade) e de limpar o nariz com os dedos e colocar na boca. Ele fica cuidando para ver se estou olhando e quando me distraio ele coloca o dedo na boca. Claro que o meio em que ele está inserido influencia muito e também é claro que ele precisa de ajuda. 

 

DOSSIÊ IV

 

Não conheço muito dos serviços oferecidos pelo município de Porto Alegre. Nas duas escolas que trabalho, os alunos são encaminhados para o NASCA. Esta instituição atende a alunos das redes estaduais e municipais de ensino.

Os alunos são encaminhados através do SOE ou então a direção da escola faz esse encaminhamento.

Todos aguardam na fila para atendimento. Estes atendimentos são por ordem de chegada. Não há prioridade para este ou aquele caso.

Na escola em que trabalho de manhã (EEEF Presidente Roosevelt), não tenho nenhum aluno em atendimento mas, na escola que trabalho a tarde (EEEF Espírito Santo) tenho sete alunos que estão aguardando atendimento.

 

 

 

NASCA

 

O Nasca é Núcleo de Atenção à Saúde da Criança e do Adolescente e localiza-se na Avenida Moab Caldas, 400, 2º andar, Vila Cruzeiro. Abriga os serviços de oxigenioterapia, fonoaudiologia, ambulatório de asma, psicologia,  psiquiatria infantil, saúde bucal, nutrição, serviço social e psicopedagogia.

É um serviço da Secretaria Municipal da Saúde. Atende as 38 escolas públicas e 35 creches da região.

 

 

DOSSIÊ DE INCLUSÃO - ESTUDO DE CASO

 

 

O aluno JRP é um menino que tem um histórico familiar bem complexo. Foi encaminhado ao NASCA mas ainda estamos aguardando o retorno para que assim ela possa começar o seu tratamento. Como leiga, acredito que deveria ser feito um trabalho de âmbito familiar. A mãe desta criança precisa ser orientada de como deve proceder. Ela parece não se dar conta de que este menino se sente rejeitado e inferiorizado. Estes sentimentos mantidos por ele começam dentro de seua casa com sua família. A mãe o ridiculariza e o compara com os outros. O fato de ser chamado de "retardado" faz com que ele realmente se sinta assim. Aí estamos na situação de que se ele se acha um retardado porque vai tentar mudar. Ele se vê assim e acredita ser dessa forma.

A situação econômica também influi e muito. Ele é mau alimentado, seu crescimento é inferior aos meninos da sua idade. Muitas vezes a única refeição que ele faz é a merenda da escola. Se está mau nutrido, não conseguirá aprender como deveria. Me sinto impotente porque gostaria de fazer mais por ele e não temos condições, dentro da escola, de ajudá-lo mais.

 

DOSSIÊ INCLUSÃO

 

 

O aluno JRP é um aluno que encontra dificuldade para se relacionar com os colegas e demais profissionais qua trabalham na escola.

Ele é muito desconfiado e primeiro precisa se adaptar e confiar nos professores para que se possa obter dele algum resultado positivo. Logo que o conheci, ele quase não falava comigo, com o passar do tempo passou a confiar em mim e a interagir melhor. durante as atividades coletivas, não gosta de brincar com os colegas. Na sala de aula procura sentar sozinho. Depois de quase três meses de aula, consegui fazer com que ele sente ao lado de um colega. Deixo claro que ele escolheu o colega com o qual gostaria de dividir o espaço.

A avaliação, segundo a diretora, deverá ser igual a dos outros alunos seguindo o mesmo padrão. Ela é feita através de um parecer descritivo. Esse parecer é feito por mim e depois analisado pela direção e supervisão.

Em sala de aula procuro integra-lo em todas as atividades propostas mas, não tenho apoio nenhum da família. Chamei a mãe em uma ocasião, para conversarmos e ela, depois de ouvir o que eu tinha para falar, ao invés de me ajudar, simplismente disse que quando chegassem em casa ele iria apanhar porque não fazia o que tinha que fazer em aula. Que se continuasse assim, iria colocá-lo em uma clínica para "retardados". A conversa que quis ter com ela era para buscar a ajuda da família para que o meu trabalho, que foi iniciado em sala de aula, tivesse continuidade em casa e não para que ela batesse no menino.

A rede pública de ensino é bastante carente de recursos didáticos, espaço físico e de profissionais qualificados para  a realização de um trabalho de verdadeira inclusão de alunos que apresentam deficit de aprendizagem. 

 

 

CONCLUSÃO DO DOSSIÊ

 

 

Estou finalizando o meu estudo de caso. Este trabalho me mostrou que ainda falta muito para que possamos ter realmente a inclusão em nossas salas de aula. O que temos, até o momento, são alunos que estão "dentro" de nossas salas de aula mas que não tem um  atendimento especializado que deveriam ter. Falta apoio dos órgãos competentes e, principalmente (no meu caso), da família.

Os textos sugeridos nos derão todo o apoio necessário, o embassamento teórico que precisávamos para nortear nossos trabalhos.

Na escola em que trabalho, esses alunos não tem uma avaliação adequada, isto é, ela é feita por parecer descritivo, se é que se pode chamar assim. É uma tabela, com vários ítens. O que nós fazemos é escolher as eleipses que achamos mais adequadas. Esse tipo de avaliação, no meu ver, não pode ser camada assim pois, não avalia ninguém. Ela não favorece o aluno pois, não propicia as possibilidades e competências dele. A avaliação deveria ser individualizada. Os alunos são diferentes e deveriam ser tratados de forma diversa e da forma como ela é feita, os alunos são tratados de forma exatamente igual.

O aluno JRP teve um progresso muito pequeno. Ele ainda continua sem atendimento e não temos perspectivas de quando este tratamento será ministrado. Há uma distância muito grande entre a legislação vigente, que ampara estes alunos e a relaidade social na qual estamos inseridos.

Para que a inclusão ocorra realmente é preciso que todos trabalhemos juntos. Esse trabalho deve começar já! As crianças precisam estar inseridas na sociedade, devem fazer parte dela e, principalmente, se sentirem parte dela. 

Comments (6)

Maria del Carmen Cabrera Martins said

at 8:47 am on Apr 9, 2009

Olá, Maria, teu relato esta generico, podes relatar um dos casos?, a atividade pede isso.
Abraços
Maria del Carmen

Maria del Carmen Cabrera Martins said

at 11:28 pm on Apr 20, 2009

Maria, relatas que um aluno tinha problemas de visão e era tratado como PNEEs, isso é uma amostra que existem muitos maus profissioais, mostram descaso com seu aluno, tambem nos mostra que a inclusão, não depende só de boa estrutura fisica , mas tambem de bons profissionais, comprometidos com o ensino.
Abraços
Maria del Carmen

Maria del Carmen Cabrera Martins said

at 11:31 pm on Apr 20, 2009

Maria a proposta de atividade 2, pede que é busquem informações sobre suas escolas e redes de ensino onde trabalham, indicando se identificam a presença de alunos com deficiência ou necessidades educativas especiais nessas instituições. Elaborem um texto no qual vocês apresentarão os dados de uma escola específica, indicando total de alunos e docentes, etapas de escolarização, alunos da educação especial presentes (quais? quantos? com que tipo de atendimento?). Elabore um comentário que integre a realidade descrita e os pontos centrais que identifica nos textos lidos.
No teu relato faltam alguns dados para ficar mais completo.
Abraços
Maria del Carmen

liliana said

at 9:39 pm on Apr 23, 2009

Lourdes

a situação que relata é muito relevante, mostra que como profissionais muitas vezes "diagnosticamos" cedo demais...olhando para um problema...sem procurar suas causas e tentar compreender....é imrpotante o que trazes como reflexão...algum outro caso tivestes de inclusao que possas nos relatar?
abraços
liliana

Maria del Carmen Cabrera Martins said

at 12:04 am on May 31, 2009

Maria, a atividade pede para falar sobre os serviços especiais do seu estado ou muncipio, sugiro que pesquises um pouco para a atividade ficar completa, podes explicar o que é o Nasca?.
Vemos mais um descaso familiar no teu relato do estudo de caso, o apoio da familia é fudamental para o desenvolvimento cognitivo e social.Como tu colocaste, se ele ouve que é retardado, vai se sentir um retardado.
Abraços
Maria del Carmen

liliana said

at 10:47 pm on Jun 24, 2009

Oi Maria de Lourdes

o que houve ocm teu estudo de caso? estamos aguardando tua continuação. Sobre a rede de serviços em POA ela é bem ampla, mas tem bastante informação na própria UFRGS através de estudos e artigos realizados..procura na biblioteca da educação (sistema eletrônico) poderás ver quantos trabalhos existem. Tambem tem informação na própria página da prefeitura, te sugiro usares esses portais para pesquisar estas informações.
abraços
liliana

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